Frases como esta são muito comuns: “É normal meu filho gostar de açúcar, pois eu comia muito doce durante a gravidez.” Muitas mulheres acreditam que os alimentos ingeridos durante a gestação influenciam o paladar do bebê para determinados alimentos. Será que isso realmente ocorre?

Após experimentos pesquisadores chegaram a resultados que mostram que:

Os bebês expostos ao sabor da cenoura durante a gravidez ou amamentação faziam menos caretas enquanto comiam os cereais com cenoura que os bebês cujas mães não haviam tomado suco de cenoura nem antes nem depois do parto;

Os que haviam sido expostos à cenoura durante a gravidez gostaram mais da papinha “temperada” com suco de cenoura, segundo as mães.

Experimentos similares foram realizados com 36 bebês, de 4 a 6 meses, para saber se existia uma diferença entre aqueles alimentados com leite industrial e os que só tomavam leite materno (Sullivan e Birch, 1994). Os pesquisadores descobriram que as crianças que mamavam no peito aceitavam um novo legume mais rápido. Isso se deve ao fato de que esses bebês são expostos a uma grande variedade de sabores transmitidos pelo leite materno, enquanto as crianças alimentadas com leite industrial conheciam apenas um sabor.

Outro estudo comprovou que bebês gostam de alho (Mennella e Beauchamp, 1993). Quando as mães ingeriam cápsulas da substância, os filhos queriam mamar muito mais tempo que quando as mulheres haviam ingerido uma cápsula placebo. A conclusão da pesquisa foi que o sabor do alho, que passa para o leite da mãe, parece agradar as crianças.

Assim, o gosto de um adulto por temperos como curry ou alho pode ter relação com o ambiente vivido durante a fase fetal. Os cientistas sabem que o líquido amniótico que envolve o bebê pode ter um odor forte de cominho, cebola ou outras substâncias ligadas diretamente a dieta da mãe.  Tanto que, durante o último trimestre  de gravidez, o feto engole até um litro de líquido por dia. Nele estão contidos os sabores da alimentação da mãe que são transportados para os receptores sensoriais do bebê.

Quando a mãe consome determinados alimentos, ela põe o feto em contato com um sabor, e isso influenciará sua aceitação depois do parto. Mesmo fora da barriga essa interação continua, pois os sabores do alimento também estão presentes no leite materno.Eles não precisam ser ingeridos em grande quantidade, porém regulamente. Os resultados desses estudos confirmam a importância de uma dieta variada, tanto durante a gravidez quanto durante a amamentação.

Para conhecer mais

*Infant dietary experience and acceptance of solid foods. S.A. Sullivan e L.L.Birch, em Pediatrics, 93, págs.271-277,1994.

*Prenatal and postnatal flavor learning by human infants. J.A. Mennella, C.P.Jagnow e G.K. Beauchamp, em Pediatrics, 107, pág E88, 2001.

*The effects of repeated exposure to garlic-flavored milk on the nursling’s behavior. J.A. Mennella e G. K. Beauchamp. em Pediatric Research, 3 , págs. 805 – 808, 1993.

Artigo retirado da revista psicologia: experimentos essenciais: bebês e crianças, 3/ Serge Ciccotti.- São Paulo: Duetto editorial, 2010. – ( Coleção experimentos essenciais de psicologia).

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